Os Oito Odiados | Crítica

Autor: Willian


Quando escutamos que Quentin Tarantino irá fazer um novo filme, temos a certeza de muita qualidade. Mesmo com uma produção conturbada, o filme que era para ter estreado há um ano atrás, e quase não aconteceu por desistência do diretor devido ao vazamento do roteiro, na qual o mesmo voltou atrás devido apelos e boa recepção da história em uma sessão fechada de teatro.

Quentin Tarantino é uma figura polêmica e acredito que seu novo filme provocará divergências até mesmo entre seus fãs, pois a história é bastante densa e chovem críticas positivas e negativas quanto ao filme. De todo modo, Os Oito Odiados é a oitava obra do autor, que parece voltar às origens de Cães de Aluguel, nos entregando mais uma homenagem ao western.

Tarantino é um dos únicos diretores conhecidos mais do que seus filmes, devido a sua genialidade. Em seu último filme, não por menos, isso de fato acontece. Ele consegue criar situações inusitadas, com inteligentes soluções para elas, sem se entregar aos clichês. Em um primeiro momento de Os Oito Odiados, somos apresentados ao Major Marquis Warren (Samuel L. Jackson) e John Ruth (Kurt Russel), dois caçadores de recompensa que seguem em uma carruagem para Red Rock junto de Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh), uma agressiva prisioneira que John Ruth que pretende levar viva até o carrasco. No caminho, eles encontram Chris Mannix, que diz ser o xerife de Red Rock e juntos seguem até a Casa da Minnie para se protegerem de uma grande nevasca. É na pousada que se passa a maior parte do filme, onde conhecemos o grupo que compõe os oito odiosos personagens principais, aspectos individuais de cada um e, principalmente, descobrimos que há uma trama para libertar Daisy Domergue, de modo que ficamos pensativos tentando adivinhar quem é o traidor.


Situações de conflitos são levadas ao extremo, desde Cães de Aluguel, não era possível ver um suspense tão minunciosamente articulado por Tarantino, mesmo que o filme não seja de suspense. A atuação dos atores, é exigida até o último pelo diretor, onde as atuações, mesmo que não sejam dignas de Oscar, são extremamente convincentes. Também é importante ressaltar a parceria Moricone e Tarantino, nos proporciona uma trilha ideal para a trama western, dando o tom certo em cada cena.

Os Oito Odiados é impecável em todos os aspectos técnicos. Desde a simples e brilhante abertura, cuja música de Ennio Morricone e créditos iniciais homenageiam os antigos filmes de faroeste, da fotografia das cenas externas e utilização da Ultra Panavision 70 até a soberba direção de Quentin Tarantino, que nesse filme expõe todos os seus maneirismos. Como o filme tem basicamente apenas dois cenários, Tarantino reforça diálogos instigantes e o próprio roteiro, apesar de eu achar a premissa um tanto fraca, nos propõe um desafio, achar quem é o 'traidor' entre eles, bem como refletir sobre a questão racial e a crítica presente no filme, embora esta não esteja esplanada de maneira coesa como nos outros filmes de Tarantino, onde os oprimidos não costumam oprimir.

Mesmo que não seja sua melhor obra, é irrefutável o direito de proclamar Tarantino, com um dos melhores diretores de sua geração, não apenas pela sua genialidade, mas pelo seu empenho em fazer sempre o melhor. Os oito odiados, mostra o amadurecimento criativo do diretor/roteirista, e como essas contribuem história ter mais qualidade.


Uma grande produção que classifico com...


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